O Paladar Oceânico

Sabe a Austrália? Nunca nem me imaginei colocando o pé lá, mas Madson (amigo que conheci no ônibus, há uns 2 anos, e descobri que era meu vizinho desde pequeno, fazia a mesma faculdade e, pra piorar, o mesmo CURSO que eu, mas que jamais tinha passado do meu lado)  teve vontade um dia e foi simbora. Ele é assim, escolhe um lugar no mundo para conhecer, trabalha loucamente, junta dinheiro e torra tudo na viagem. Acho digno. E por que, raios, ele ainda não era correspondente internacional do blog, hein? Pois na última empreitada turística, na terra dos Cangurus, ele resolveu estrear. Taí a contribuição. Brigada, BUNITÃO!

Por Madson Ferreira

Viajar a um país desconhecido é sempre um enigma gastronômico. Pode-se conhecer a cultura, a história, os roteiros, mas provar a comida e se acostumar a um paladar distinto é sempre algo que ou aguarda grata surpresa ou acaba em noites de prantos no banheiro.

Na Austrália não poderia ser diferente. E uma vez no país, vale a pena correr o risco. Terra tão, tão distante condensa um misto de sabores tradicional e moderno: um refinado café-da-manhã britânico coabita tranquilamente com um almoço fast-food na McDonalds.

Cereal, croissants e muffins de blueberryPanquecas, geléia e morangosCafé da manhã australiano

Minha dica é começar o dia com muffins de blueberry (delícia), croissants franceses, english muffin (uma torradinha britânica) e muita, mas muita geléia de vários sabores: blackberry, raspberry, strawberry e todos os “berrys”. Cereais também fazem parte do desejum australiano. Panquecas, suco de laranja e café sempre.

Uma saladinha e coleslaw (misto de repolho, maionese e outros vegetais ralados) vai bem no almoço. Rolinhos primaveras ou sushi rolls também fazem parte do cardápio do almoço, que tende a ser rápido e menos pesado, pois os australianos seguem o mesmo hábito americano de concentrar o jantar como maior refeição do dia.

Restaurante Inidano em Melbourne Prato indiano Saladinha e Vinho e Kirsh (torta turca)

À noite, às 18h, após o horário de trabalho (é – na Austrália as pessoas têm vida social e aproveitam isso) a pedida é ir aos ótimos restaurantes das grandes cidades. O bom de viajar fora do país é que tudo é geralmente mais acessível e barato (mesmo em dóllar). Assim, pode-se comer num indiano ou vietnamita por menos de $25.

Minha dica é: uma vez em terras longínquas, experimente tudo que lhe apetecer. Permita-se e, porque não, jogue-se em novos sabores e sensações prazerosas, até se contiver curry ou pimenta. Mesmo que isso acarrete algumas noites em claro, se é que você me entende!

Vocês embalam pra viagem?

PQTRLV o quê?

Passei na frente desse lugar umas 30 vezes até parar para conhecer. A curiosidade já tinha batido. Também, com um nome desses, né? TENTE SER MAIS ORIGINAL E FALHARÁS! kkk Esta belezura de estabelecimento, uma união estável entre barzão e self-service, fica em Cachoeira, município a 115km de Salvador, na Báhîîîa (eita, sotaque bom danado, voltei falando baianês). A cidadezinha é massa, meu povo. Lindona, com um rio fantástico (andei de barquinho nele), com casarões históricos em cada esquina (e, vâmo combinar, precisando de revitalização), cheia de gente jovem, bonita e cineasta. É que lá tem a Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), que movimenta tudo e onde o curso de Cinema e Audiovisual faz bastante sucesso. Eu e o boy estávamos de passagem para um festival de cinema, o CachoeiraDoc, e aproveitanos para passear e – eu – conhecer os sabores baianos in loco. No entanto, mesmo sendo tão legal, uma coisa eu preciso dizer sobre Cachoeira: não tem lugar bom para comer. Não tem e pronto. E olhe que a gente procurou. O PQTRLV não é exceção, mas só pela alcunha, jamais vista neste Brasil, merece este post.

Conhecemos a cidade praticamente a pé porque tudo é perto. Nossos guias foram os entusiastas cinematográficos Emerson Dias e Leon Sampaio, além do multiartista de Jequié Ricado Ayade. Pessoas do bem e, com certeza, melhores lembranças da viagem – junto com o prêmio de melhor curta, dado pelo juri jovem, para ACERCADACANA, filme do boy. Então, nem essa galera que vive em Cachoeira pra estudar sabia do significado das letras do PQTRLV (carinhosamente e francesamente chamado de Pêquêtêrrêlêvê). Aí quando a gente foi almoçar lá resolvi investigar e prestar esse serviço à população. A HISTÓRIA: O dono comprou o bar e ganhou o nome de brinde. Quem vendeu a ele jurou que o local havia sido repassado já batizado. Tendo em vista a peculiaridade e a tradição do título, o proprietário atual resolveu deixar como estava. E fez-se o mito. Tô enrolando muito pra dizer o que, né? Pois bem. PQTRLV = Pedro Quer Ter Rendas Lucros e Vantagens. Pedro ninguém sabe quem é, mas a fama de mercenário dele se perpetuou com o nome. kkk Essa é a versão ligth para a sigla, existe uma caliente, para maiores de 18 anos, que eu não digo nem a pau porque esse blog é de família! Escolhemos um peixinho para aplacar a fome e o resto do prato nos servimos no self-service. O peixe estava até gostoso, mas meio salgadinho ($). Provavelmente o dono do babado acrescentou no valor da comida o preço de ter contato a história do bar. Ainda me pergunto se essa história não é de pescador…

Os bonitões curtindo uma sombra e esperando o rangoEu, simpática como costumo ser (hahah modesta)Os peixinhos os “ói da cara” (o tio do bar reparou que a gente era turista)

CACHOEIRA À NOITE

Fikadika pra quem for fazer a visita: andar à noite pela linha do trem (que ainda funciona) que separa Cachoeira e São Felix. Massa demais. :)

Sexta-feira gorda!

Fotos lindas de comidas lindas porque hoje é sexta-feira e as porteiras da gordice estão abertas! :D

Fonte e receita: The Family Kitchen

Foto e receita: How Sweet It Is

Foto e receita: Endless Simmer

Foto e receita: Sweetpolita

Foto e receita: Cake Student

Foto e receita: A Toast to Taste

Foto e receita: CPA

Foto e receita: Biscuits of Today

Ê ê ê, eu amo degradê

Tava clicando loucamente em mil blogs de culinária (quando tiro o dia pra fazer isso nada mais interessa) e me deparei com essa coisa linda e degradê em forma de bolo. É muita lindeza, minha gente. Em matéria de confeitaria eu sou, humm…veja esse post autoexplicativo. Aí quando vi que essa decoração até EU conseguiria fazer, resolvi compartilhar. Pague você, também, de gatinha confeiteira! :D

Vi aqui, ó.

Aprendendo a escolher [ou Eu tô ficando louca]

Este post não é sobre comida.

Sempre achei Mallu Magalhães meio afetadinha. A vozinha (diminutivo de voz, não de vó, minha gente) miada, pra dentro,  mais a cara de lesma era igual à junção ideal para me dar um siricutico. Simplesmente não podia com tanta demência. Fui uma chata e nunca dei nem meia chance pro talento dela. Mas aí a danada cresceu, ficou esse escândalo de mulher que é hoje e ainda escreveu a música aí de baixo que – NÃO, EU NÃO TENHO VERGONHA DE DIZER – virou hino do meu momento de vida atual. Mallu sambou na minha cara usando salto agulha número 15 e cantando “O mundo dá voltaaaaas!”, do CPM22, em ritmo de pagode. Por isso, solta o play macaco, porque a musa de Marcelo Camelo e ex-moscamortadonzelasemsal, além de outras muitas paradinhas, me ensinou que o tempo passa e as coisas, uma hora ou outra, mudam. Não tem jeito. É dela a trilha desse post.

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VIDA – Sério, dizem que depois dos 15 anos o tempo voa. No meu caso, foi depois dos 18, e ele não voou (porque muriçoca voa e não é rápida), virou foi uma versão mais veloz de Usain Bolt. Um dia desses eu tava entrando na faculdade, toda amerela, e agora tô arrumando as malas para sair de casa. É isso, pessoas. Vou cortar o cordão umbilical. Mainha vive chorosa, painho faz cara de forte, mas tá sofrendo, e meu irmão pergunta todo dia por que eu ainda não fui embora. Eu tô ficando velha, eu tô ficando louca.

Vai ser uma aventura. Vou dividir apartamento com mais três moças e seja o que Deus quiser. Não tenho nem ideia do que serão os próximos capítulos. Foi uma decisão difícil e inacreditavelmente dolorosa de fazer, mas eu estou feliz e BEM estusiasmada com ela. É importante aprender a tomar conta do próprio nariz, né não? Serei, agora, o-b-r-i-g-a-d-a a lavar prato e roupa, varrer casa, trocar a cestinha da privada (como é o nome daquele negócio que deixa tudo cherosinho e um pato faz o comercial?) e a cozinhar. Creio que essa parte será interessante para o blog. Sorte para mim!

BLOG – Sou indisciplinada, minha gente. Nunca consegui escrever diariamente nem no meu diário, que só eu (e mainha às escondidas) lia, quanto mais num blog. Acho nada a ver ficar me justificando por não postar, mas me sinto na obrigação, pois mesmo aparecendo aqui uma vez a cada semestre, sempre tem alguém carinhoso que deixa comentário em publicações antigas, manda e-mail e curte a página. Eu, como leitora assídua de blogs diversos, entendo o que é entrar num site e não encontrar coisa nova. Então, me explico. A vida tá corrida, formatura em março, idade nova em abril (22!), trabalho puxado, encaixotar coisas, etc. Fora que eu não gosto de colocar qualquer coisa aqui. Escrevo com vontade, quando algo me interessa e isso me dá o maior prazer nessa vida. Eu tenho um orgulho tão grande quando rolo o scrolll e vejo o Não Sei Cozinhar preenchidinho com coisas legais. Então eu resolvi não ligar mais para isso e seguir feliz só postando quando a vida quiser – eu realmente ficava incomodada em pensar que isso aqui tava sendo comido pelas traças. Como disse a Ju, do Pitadinha, cada blog tem seu tempo. O meu é lento e cabôsse. :) Espero compreensão.

GASTRONOMIA – Outra coisa que me deixa agoniada é não atualizar vocês da minha graduação enrolada, já que no meu perfil eu digo que curso gastronomia. Pois bem, esse babado tava trancado há um ano. Destranquei no começo do período e tranquei de novo depois de uma semana. Nesses sete dias de aula eu não compareci a nenhuma e isso me fez ter um momento de reflexão. Parei de me enganar, minha gente.  Ficava alimentando uma ilusão de que, um belo dia, algum dos meus empregadores me deixaria separar todas as manhãs para ir estudar comida e alimentação em uma universidade so far way (porque a Rural é longe até da própria Rural). Quando aceitei que não iria acontecer, respirei fundo e admiti que, muito provavelmente, não concluirei este curso. Para não desgrudar de algo que gosto tanto, decidi investir em minicursos, em pós-graduações na área e, quem sabe, mais tarde, uma faculdade particular quando sobrar tempo ($). Acho que vou ser feliz do mesmo jetito, né não? Enfim, tô levando tudo no maior bom humor e, como diz a música, eu tenho tido a alegria como dom, em cada canto eu vejo o lado bom. :)

Vocês são lindos.

Obs.:

Essa coisa de colocar a música de trilha não deu muito certo, né? Eu mesma não consegui me concentrar para ler o post escutando Mallu ao mesmo tempo. hahaha Fora que o clipe acaba quando o texto ainda tá rolando. Noção de timing: 0. kkk

 

No meio do quilombo havia uma Rosa

“Vip” é dudu, sacolé, geladinho, aqueles picolés de saquinho que custavam, na minha época, dez centavos e todo fiteiro tinha!

Esse post poderia ser bem mais completo. Os personagens mereciam. Não tinha papel e caneta na hora, erro mais que grave para um jornalista, então anotei tudo (números, nomes, pequenos detalhes) no rascunho do celular. Eu e minha mania  de deixar as coisas para depois não copiamos as informações para outro lugar, então, num domingo desses, tiraram meu telefone da bolsa porque eu sou lerda e esse tipo de coisa acontece comigo. Chorei de raiva na hora por estar perdendo algo, por me sentir frágil e desprotegida, pela desonestidade das pessoas, mas, principalmente, pelas histórias que tinham alí e não vou mais poder contar com fidelidade. O registro vai de acordo com minha memória e coração. Para contextualizar, fiz uma viagem de carro de Recife até o Ceará com o namorado, Felipe, e mais dois amigos, Joaquim Izidro e Emerson Calado. Companhias mais do que agradáveis e divertidas. No caminho, passamos por Conceição das Crioulas, um quilombo em Salgueiro, no Sertão de Pernambuco.

Lá, enquanto os companheiros de viagem trabalhavam, eu me infurnei na casa de Rosa pra conversar. E, gente, eu fui tão bem recebida! Ela é quilombola, tem sangue negro misturado com de índio, e é dona de um fiteiro no quilombo. Doce de leite e cocada são especialidades dela. Deliciosos! A gente papeou tanto que eu nem vi a vida passar – e olha que eu a tinha conhecido só algumas horas antes. Fiquei um tempão, e ela nem ligou, perguntando da rotina, da infância dela, futucando a casa, vendo e tirando fotos. Tudo pra entender como é crescer e viver num quilombo nos dias de hoje. Na maior paciência e bom humor, me levou no quintal e mostrou o forninho que construiu para fazer os doces (R$ 1 cada). Contou como precisava viajar 30km pra conseguir o leite da receita – que aprendeu para preparar, vender e sustentar sozinha as duas filhas. Lembrou que nesse mesmo caminho, num acidente de carro, uma delas morreu quando ia fazer uma apresentação musical em Salgueiro. Rosa ficou com o neto pra criar. Falou que não ligava em morar ao lado do cemitério do quilombo porque sentia que a mãe e a filha tomavam conta dela. Aí coou um cafezinho pra mim, esquentou o munguzá salgado para eu experimentar – é com feijão e eu não sabia -, não me deixou pagar parte das cocadas que eu ia levar e ainda pediu para eu ficar mais um pouquinho quando chegou a hora da minha viagem seguir caminho. E eu bem que ficava se desse. Me despedi, garanti que um dia voltaria para uma visita e disse que escreveria sobre ela aqui.

Eu quero um forno à lenha

Um bem grande, que esquente a casa inteira enquanto a comida estiver sendo preparada. Eu quero sentir o aconchego do calor de cada madeira queimando. Não dá para comparar o gosto de um prato feito na boca de um fogão a gás com o cozinhado no barro do forno à lenha. Não dá. É um sabor especial como ele só. Mas, claro, para o bem da minha saúde, não estarei morando em Hellcife, enjaulada num apartamento, quando tiver um. Tava lembrando de férias na cidadezinha linda linda de Goiás Velho. Andar pelas ruas era um deleite. Casas, móveis, mercados de antigamente – Deus sabe o quanto eu gosto de coisa empoeirada e com história pra contar – e o cheiro vindo de dentro dos restaurantes da comida sendo feita nos fornos. Ai, jisus. Tirando o pequi (aquela frutinha traiçoeira, amarela e cheia de espinhos que o pessoal de lá e do sertão insistem em colocar no arroz achando que é bom – vide imagem 2), bateu saudade de tudo. Fui olhar as fotos e resolvi mostrar o registro aqui. Queria lembrar o nome do lugar, mas num vou nem me esforçar porque eu sei que já foi eliminado do HD.

Alguém quer um forno à lenha junto comigo? Preciso de um pra ser feliz.

Cajuína da boa

Meu nome é Mayra Milenna Gomes, tenho 21 anos, sou sedentária, não como frutas – só gordura e açúcar – e, por isso, estou há 8 meses sem ingerir refrigerante. Redução de danos. Me orgulho bastante do meu feito e, nesse tempo, não tive nenhuma recaidazinha. Tô tentando não dar ao meu corpo um número maior de celulite do que ele já tem.  Mas, não podia viajar 658 km de carro de Recife até o Juazeiro do Norte, no Sertão do Cariri, Ceará, e não provar a bendita Cajuína São Geraldo, na garrafa de cerveja que é como tem que ser, famosa nos quatro cantos do globo. Me joguei, né? Vai saber se esse é o último gaseificado que eu vou tomar na vida. Diferente do Guaraná Jesus, lá do Maranhão, vulgo Tylenol em gotas, a Cajuína (refrigerante de caju) é boa demais. Devo ter bebido quase um litro.

Cajuína São Geraldo

Endereço: Avenida Padre Cícero – km 02 s/n. Cep: 63041-140. Bairro: Triângulo. PABX/Fax: (88) 2101.7654. Pedidos: (88) 2101.7676. E-mail: cajuina@cajuinasaogeraldo.com.br

Juazeiro do Norte – CE

 

Carta-Post-Afetiva – “Lembrança de viagem”

Tenho um namorado viajante. É difícil e eu ainda não me acostumei com a rotina de ficar longos períodos sem ele. Desde que estamos juntos, já foi e voltou não sei quantas vezes de cidades do Brasil e do mundo por causa de trabalho. Não é sempre que posso acompanhá-lo, então me resta ficar por aqui esperando ele voltar com as histórias na mala. Claro, as de comida sempre me deixam louca. A última andança dele pelas zoropa rendeu ao NSC fotos gastronômicas (o namorado é um fotógrafo de mão cheia) de dar água na boca e esse post-carta lindo. Foi escrito pra mim, mas também é pra vocês.

por Felipe Peres Calheiros

Leninha, depois de um ano e meio de namoro, viajar sozinho tem sido cada vez mais difícil. Acostumado a te acompanhar nas missões jornalístico-gastronômicas para o NSC, pego-me instintivamente investigando cardápios e analisando apresentações de pratos – coisas que definitivamente não existiam em minha vida antes de te conhecer. Tinha muita vontade de fazer um post completo, com detalhes e receitas, mas as técnicas de redação e os conhecimentos culinários – como você bem sabe – não são meu forte. De forma que resolvi fazer essa Carta-Post-Afetiva com imagens que fiz lembrando de você nesses dias longe de casa.

Madrid – Praça Sol – Bar Postas Cerveceria
Paella de frutos do mar e bocadillo
Mesmo sabendo que aquele Bar é especialista em “calamares” (frutos do mar), comi com algum receio. Afinal ingerir frutos do mar noutro país, sem nenhum conhecido, é algo arriscado. Mas estava bom, e por um preço muito menos “turístico”, naquelas redondezas.

Lisboa – Restaurante Caseiro – Bacalhau a Braga e Pastel de Belém
Esse restaurante, de nome “caseiro”, é um lugar simples, decorado com cédulas de vários lugares. O capricho está nos pratos, que seguram firme a tradição lusitana, como nesse “bacalhau a Braga”. Perto de museus e pontos turísticos, na rua de Belém e exatamente em frente à matriz mundial dos Pastéis de Belém, meu segundo doce favorito, depois de chocolate.

Porto – Vendedora de Castanhas torradas
Num lugar em que quase todo o comércio é formalizado, essa simpática senhora me chamou a atenção. Doze castanhas torradas por 2 euros.

Biarritz – Eclair de Chocolate
Em praia francesa de rico, latino recorre a padarias. Eclair de chocolate potência, esse.

Bologna – Tortelloni de Burro e Salvia
Gelatos italianos
Um quase-vegetariano(?) em Bologna não consegue enfrentar uma pasta à bolonhesa, que por lá leva linguiça de porco e outras carnes. Então esse tortelloni de ricota salvou, junto com os tais sorvetes italianos.

O angu sem caroço de Tia Deda

O sabor deste angu, sem caroço, aí embaixo ainda está fresco no meu paladar. Ele é parte do meu trabalho de conclusão de curso (TCC), mas não de gastronomia (até porque só Deus sabe quando e se eu vou terminar essa graduação). Sim, sempre quis encerrar minha faculdade de jornalismo com um projeto nessa linha. Sabe unir o útil ao agradável? Pronto. Essa segunda, eu e minhas queridas Luana Pimentel e Rafaella Magna concluímos uma semana de gravações exaustiva, estressante, destruidora de juízo e amizades. Nove entre dez pessoas perdem amigos, que seriam para a vida inteira, no último período da universidade, fazendo o TCC. Mas, nós sobrevivemos. Nosso video, o Boca de Forno, logo mais, vai estar pronto para ser servido. Até lá, vou ter unhas e cabelos a menos, claro.
Nosso tema é “expressões populares relacionadas à comida”. Aí você diz pra mim: “Oi, gata?”. Explico. Já reparou como nós colocamos alimentos na nossa oralidade? [segue trecho copiado do pré-projeto, tô com preguiça de explicar pela 8976352042318 vez] Mamão, banana, pastel e pamonha deixam de ser mantimentos e ser tornam, na fala, adjetivos utilizados para designar pessoas sem atitude e com comportamento infantil. Doce é meigo, afetuoso. Azedo é rancoroso, sem bom humor. Quem é amargo provavelmente já sofreu. Se o rapaz é gay também pode ser frutinha e frango, se for indicação de alguém, é peixada. E lá vai ele babar o ovo de quem fez a recomendação. Moça bonita é filé, chuchu, pão. Bom mesmo é se ela der sopa por aí, menino queijudo fica logo enxerido. Se ele somente a beijar, espalha que já comeu. Se ela descobrir, a batata do garoto vai assar. Ele está frito. Vai enfrentar um pepino, ter que descascar abacaxi, comer angu de caroço. Na hora do “vamos ver” a gente descobre se ele é um homem ou prato de papa.

Né massa? Massa. Sacou? hahaha Já tinham reparado nisso? É aí que entram esse angu delicioso e Tia Deda. Ela foi personagem do trabalho e, enquanto cozinhava, ia explicando por que a expressão “angu de caroço” se refere a algo ruim. Aproveitei pra anotar a receita que ela aprendeu com voinha, que morreu antes de poder me ensinar. Provavelmente, se não fosse esse trabalho, eu nunca teria aprendido. Compartilho aqui com vocês.MargarinaAçúcar e farinha de milho bem fininha (aquela de xerém)Leite de coco

água
uma piatada de sal
canelaCom o fogo desligado, misture a farinha com um pouco de água. Esse, e não parar de mexer, é o segredo para o angu ficar fininho, suave, sem caroço. Ligue a chama e vá acrescentando o leite de coco. Depois a manteiga. Quando for soltando da panela vai jogando água para não empelotar. Acrescente o açúcar e, por fim, jogue uma pitada de sal. Finalize com canela pra ficar com gosto de comida de vó.Enquanto Luana e Rafa dividiram um prato, eu comi um inteiro e generoso sozinha. Olho grande sempre foi um defeito. 8)